Espinosa: uma pedra movida por um impulso qualquer, caso tivesse consciência, acreditaria que se movia por sua própria vontade - pois eu aqui acrescento que a pedra teria razão (Schopenhauer).
Kant (por Schopenhauer) - Espaço, causalidade e tempo não são determinações da coisa em si, mas pertencem somente ao seu fenômeno, pois eles não passam de meras formas de conhecimento. Ora, como toda pluralidade, nascer e perecer só são possiveis por meio do tempo, espaço e causalidade; segue-se daí que aqueles cabem exclusivamnte ao fenômeno, de modo algum à coisa em si.
Todavia, como nosso conhecimento é condicionado por aquelas formas, a experiência inteira é apenas conhecimento do fenômeno, não da coisa em si; por conseguinte, suas leis não podem se tornar válidas para a coisa em si. Mesmo ao nosso próprio eu se aplica o que foi dito, e nós o conhecemos somente como fenômeno, não segundo o que possa ser em si.
Platão (por Schopenhauer) - As coisas deste mundo, que nossos sentidos percebem, não possuem nenhum ser verdadeiro: sempre vêm a ser, mas nunca são. Têm apenas um ser relativo; todas juntas somente o são em e através de sua relação uma para com a outra. Pode-se por conseguinte, igualmente nomear seu inteiro ser - aí também não ser.
(não posso deixar de mencionar aqui o "Labyrintho" de Juan de Mena do seculo XV onde há uma visão de três rodas muito grandes: a primeira imóvel, é o passado; a segunda, giratória, o presente; a terceira, imóvel, o futuro).
Em consequência, elas não são objeto de uma experiência propriamente dita, pois tal experiência só pode haver daquilo que é em e para si, sempre da mesma maneira. As coisas deste mundo, ao contrário, são apenas objeto de uma opinião ocasionada pela sensação baseada em percepção não provada conceitualmente. Enquanto nos limitamos à sua percepção, assemelhamo-nos a homens que estariam sentados presos numa caverna escura, tão bem atados que não poderiam girar a cabeça, de modo que nada veriam a não ser as sombras projetadas na parede à sua frente de coisas reais que estariam entre eles e um fogo ardente; sim, cada um veria inclusive aos outros e a si mesmo apenas como sombra na parede à frente. Sua sabedoria, então, consistiria em predizer aquela sucessão de sombras, apreendida da experiência. Ao contrário, só as imagens arquetípicas reais daquelas sombras, as idéias eternas, formas arquetípicas de todas as coisas, é que podem ser ditas verdadeiras, pois elas sempre são entretando nunca vêm a ser nem perecem. A elas não convém pluralidade alguma, pois todas, conforme sua essência, são unas, na medida em que cada uma delas é a imagem arquetípica, cujas cópias ou sombras são todas as coisas isoladas e efêmeras da mesma espécie e de igual nome.
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