sábado, 12 de maio de 2012

Artista não é intelectual

Artistas, mundo real e gestão do conhecimento.

Muitas vezes assistimos artistas manifestarem-se a favor ou contra isto ou aquilo, questões de cunho social, e até mesmo políticas públicas. Como é natural ao ser humano, utilizam a força de sua exposição pública para prevalecer seu ponto de vista. Mas qual o resultado disto para a sociedade?

Na sociedade brasileira, eminentemente colonial, o artista é confundido com o intelectual, herança medieval trazida da Europa, onde então a intelectualidade era praticada exclusivamente pela Igreja (1).

Podemos até verificar exemplos como o de Chico Burque, compositor famoso por suas metáforas que ao migrar para o mundo da literatura escreveu, como escreve, livros deploráveis.

Nos ensina Schopenhauer que os artistas, os gênios, estão ligados à Idéia (aqui no conceito platônico), fazem o que fazem através da intuição pura, sem explicação. Não me tornarei um pintor como Van Gogh estudando pintura, o gênio não se adquire, nasce sendo-o. Mas não quer dizer que por ter essa ligação genial, as suas opiniões pesem mais do que aquelas emitidas por quem estudou e laborou sobre assuntos de ordem prática. Noto também que todos, sem exceção, têm uma ligação genial em algum campo da atividade humana, no campo místico seria o Graal, na neurolinguística moderna, a competência essencial, isto é, há alguma coisa que cada um pode fazer com genialidade e gosto, o trabalho é o de descobrir que atividade é essa.

(um exemplo disso foi a trajetória de Ronald Regan, ator medíocre, que se tornou político, e talvez o mais importante após Churchill, uma vez que em sua gestão conseguiu acabar com a ditadura soviética).

Os artistas demonstram (em sua maioria atores), como em eventos mais recentes, grande desinformação, e até uma certa desonestidade. Emitem opiniões sobre um assunto sem examina-lo em profundidade. Por serem pessoas com apelo popular deviam éticamente se preparar ou ainda se omitir a difundir opiniões sobre aquilo que não entendem ou não estudaram, ao faze-lo, demonstram que estão servindo a uma causa, isso não resta a menor dúvida
O código florestal e a construção da usina de Belo Monte, são exemplos contundentes desse "despreparo".

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(1) Reitero o medieval, para o leitor mais desatento não imaginar que a intelectualidade pré cristandade inexistisse. Existia sim, e era produto do estudo profundo, como demonstrado pelos intelectuais que gravitavam a Biblioteca de Alexandria, Pitágoras e toda a cultura asiática, em especial a presente na India (Vedas).

Um comentário:

Paulo disse...

«Nada direi, mas, enfim,
Vou ter a grande alegria
De a Arte dizer por mim
Tudo quanto eu vos diria.»


«Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.»

(António Aleixo - Poeta)
"o gênio não se adquire, nasce sendo-o". Verdade!!! preocupante é o facto de muito comprarem o "estatuto" de génio enquanto os verdadeiros génios são «triturados» pela sociedade insaciável de na luta pelo poder e um «lugar ao Sol».
Abraço

Paulo